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A misericórdia e a alegria da doação

Por Rui Antônio de Souza*
Equipe de redação do Jornal Mundo Jovem.

O livro-entrevista O nome de Deus é Misericórdia, do Papa Francisco com o jornalista italiano Andrea Tornielli, foi apresentado no dia 12 de janeiro, em Roma. Entre os convidados para o lançamento estava o ator e comediante italiano Roberto Benigni, famoso por protagonizar o filme A Vida é Bela. Ele apresentou um monólogo sobre a misericórdia e a alegria. “Francisco está levando consigo toda a Igreja para um lugar que quase tínhamos esquecido. Ele a está levando para Jesus Cristo, para o evangelho, para o cristianismo”, disse Benigni.

Para o ator, “o marco do pontificado de Francisco é a misericórdia, que não deve ser confundida com a piedade, que vem do alto para baixo. Dentro da misericórdia existe alegria, perdão. A alegria é o grande dom secreto do cristianismo”. A misericórdia, “assim como o papa, não fica quieta, ela vai até os pobres, os miseráveis”. Segue Benigni, dizendo: “a justiça é o fim da misericórdia, que não cancela a justiça, mas vai além dela. Um mundo só de justiça seria frio. Num mundo irreconhecível, que quer o ódio e a condenação, Francisco responde com a misericórdia”.

O Papa Francisco, em seu tradicional encontro com os peregrinos no Vaticano, fez um ciclo de catequeses sobre a misericórdia, tema ao qual a Igreja Católica dedica este ano especial. Francisco explicou que no livro do Êxodo, o Senhor se apresenta como Deus misericordioso. Com esse nome, Ele nos revela seu rosto e seu coração, rico em clemência e lealdade. Ele tem compaixão, está sempre disposto a acolher, a compreender e a perdoar, como o Pai com o seu Filho pródigo (Lc 15, 11-32). No evangelho, Jesus diz claramente: Sejam misericordiosos, como também o Pai de vocês é misericordioso (Lc 6, 36). Ele próprio se apresenta como cheio de misericórdia (as entranhas se movem de compaixão) diante dos pobres da Galileia que eram como ovelhas sem pastor (Mc 6, 34). Na Igreja da América Latina, a misericórdia é princípio permanente, na opção pelos empobrecidos e em se constituir como Igreja “a serviço da libertação de toda humanidade e de cada ser humano por inteiro” (Medellín 5, 15).
E, porque não lembrar do grande revolucionário latino-americano, Che Guevara, quando em carta aos seus filhos diz: “sobretudo, sejam capazes de sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça contra qualquer ser humano em qualquer parte do mundo”.

Na mensagem para o 50º Dia Mundial das Comunicações Sociais, o Papa Francisco disse:“a misericórdia pode ajudar a mitigar as adversidades da vida e oferecer calor para aqueles que só conheceram a frieza do juízo”.
Nesse sentido, o poder da comunicação é a proximidade, que desencadeia uma tensão entre aproximação e afastamento. Em seu próprio interior, a proximidade apresenta uma oposição: aproximar-se bem e aproximar-se mal. Essa é a tarefa daqueles que hoje estão comprometidos na comunicação: “Em um mundo dividido, fragmentado, polarizado, comunicar com misericórdia significa contribuir para a boa, livre e solidária proximidade entre os filhos de Deus e irmãos em humanidade”.

O tema da misericórdia, com ou sem fundamento religioso, ocupa lugar de grande importância nas condições da vida das pessoas e de todo o planeta. Seu sentido original orienta o coração (cors) a ser solidário com os pobres (miseri). Ou seja, aponta o caminho para quem busca sair do egoísmo e ir ao encontro do outro que precisa de ajuda. Conforme o monge, Marcelo Barros, “na Índia, cinco séculos antes de Jesus, o príncipe Sidartha Guatama se converteu e se transformou em Buda, o Iluminado, ao descobrir nas ruas o sofrimento das pessoas. Foi a consciência em si da dor do outro que levou Buda a procurar a iluminação”.

A prática da misericórdia não pertence apenas ao mundo das religiões, mas engloba a sociedade humana como um todo. Se não fosse assim, o que seria do mundo sem a acolhida dos refugiados de guerras do Oriente Médio? O que seria dos pobres, das pessoas com deficiência, dos idosos, das crianças e tantos outros grupos desprovidos da condição que preserva a dignidade humana, se não existissem instituições, inclusive estatais, especializadas em acolher e ajudar? Portanto, mais do que uma atitude pessoal ou de grupos, a misericórdia exige dos governos, do nosso estado, do nosso município, a capacidade institucional de dinamizar uma rede de proteção e acolhida a quem necessita desse serviço.
Mas o mundo está cheio de ódio, violência, dizem alguns. Sim, é verdade. Mas o que seria da humanidade, da sociedade, do meio ambiente, da política, da economia sem o chamado à misericórdia? Que seria de nós sem o apelo de que devemos ser responsáveis pela preservação e dignidade de toda a criação?

Rui Antônio de Souza, da equipe de redação do Jornal Mundo Jovem.
Endereço eletrônico: ruisouza@mundojovem.pucrs.br

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